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  • Epicurotitúmera

    01

    Set
    01/09/2009 às 17h47
    E se a cada dia eu esquecesse quem sou e o que sei, quem eu seria?

    Eu sou o que penso?

    E se não penso, não sou?

    Sou o que penso que sou ou aquilo que pensam de mim?

    Suo ação, pensamento, matéria bruta ou mero fruto cultural?

    Essas e outras perguntas se fizeram muitos pensadores, dentre eles aqueles que a si intitularam ou receberam de outrem a alcunha de filósofos, cujo pensamente estivera sempre voltado para a dita VERDADE suprema que nunca surge, pois segundo Kant, ela simplesmente não há.

    Entre os temas abordados, um bem complexo ainda hoje é a FELICIDADE, que muitos depois de Nietzsche crêem não existir. Neste barco não sigo, vou acompanhar o pensamento de um sujeito bem mais antigo chamado Epicuro que há cerca de quatro mil anos atrás propôs três ingredientes para alcança-la. E me parecem bem racionais:

    1.AMIGOS, daqueles verdadeiros e raros. E aconselhava que não se fizesse nenhuma refeição sem a presença de algum, pois comer só era feitio lobos e leões, jamais de homens. Mais importante seria a companhia que a própria comida.

    2.AUTO-SUFICIÊNCIA, liberdade de ir e vir, independência financeira. Abandona Atenas por causa desse sentimento. O filósofo Diógenes constrói um muro com os ensinamentos mais tarde em que pessoas poderiam educar-se para a felicidade segundo o epicurismo.

    3.AUTO-ANÁLISE, a própria vida deveria passar por reflexões constantes para que se possa escolher com clareza aquilo que vale ou não à pena.

    Meus argumentos cromotófilos irão partir de um mimetismo intelectual, homotitúmera dos filamentos de Epicuro. Todavia, partirei da auto-análise, pois sou um analista do empirismo, materialismo, ateísmo, antimisticismo, racionalismo e livre-pensamento, além das minhas questões intimistas. Também sou um sintetizador.

    A minha melotonina semântica cogita nesse jogo a criar o mimecrímero lírico capaz de juntar o trio de ingredientes do filósofo com outra pregação sua justamente aquela que foi interpretada pelo avesso: o prazer para ele era essencial, contudo, nunca o exagero. Não defendia o luxo como fonte do bem-viver, e mesmo não luxava, pelo que consta.

    Sem mais delongas, sintetizo daqui: não ao exagero + auto-análise + auto-suficiência + amigos = Aceitação social livre de qualquer ordem superior, sendo a pessoa em questão racional e controladora dos próprios desejos, havendo assim um equilíbrio tanto no quesito razão, quanto emoção, mantendo o seu corpo isento de vícios.

    Tudo isso em síntese significa o seguinte: FELICIDADE = EQUILÍBRIO. Prossigo agora uma análise sobre o PONTO DE EQUILÍBRIO.
    IMPULSO, referente ao ID Freudiano. É o primeiro obstáculo a ser quebrado, ele é responsável por salvar-nos a vida muitas vezes, quando há momento de perigo, contudo, o mesmo longe do perigo só nos estressa e pode levar ao suicídio. Quem é feliz não se mata.
    DESEJO, diferenciá-lo de vontade. Esta parte mais do âmago que do exterior, é perene, forte, e mantém-se a mesma enquanto aquele sacia-se a cada minuto um diferente, por isso mesmo pode partir mais de fora que de dentro, permitindo aos outros manipular-nos, pois é nossa maior fraqueza.
    VONTADE, deve ser alimentada a todo custo no combate aos desejos falsos (vícios). Não que não atendamos nunca aos desejos, pelo contrário, não podemos fugir deles totalmente, pois são vitais, mas evitemos pelo menos os criados pela cultura dominante. A vontade deve superar toda e qualquer cultura, pois esta nos aprisiona sem precisão e aquela nos liberta de tudo e de todos. Solte suas amarras, todas elas.
    NATUREZA, tudo nela está em constante procura pelo equilíbrio, pelo menos à parte que nos está cabível de amostra. É um ajuste-desajuste imperfeito e fenomenal, possivelmente finito ( por ser real) e muito extenso, onde habita a vida e o inanimado, o compasso e o caos.
    VIDA, surge desse harmônico jogo impreciso. pegando o piagetiano equilíbrio da mente que tende para o desequilíbrio e vice-versa, sem limite, juntanfo-se à Lei de Lavoisier, e à Teoria da Evolução, pode-se até lembrar de atração da massa como estudou Newton, Gravidade. Isso tudo, química, física e biologia, sempre se esconde no semblante das ciências, das verdadeiras, ( não são ciências: Parapsicologia, Espiritualismo de Kardec nem outro qualquer, Positivismo de Comte, Nazismo de Hitler, Astrologia, entre outras religiões, com ou sem uma divindade ou mediunidade para lhe representar, Metafísica [pelo menos na parte em que se possa atravessar o tempo, como queria Einstein. E na parte dos buracos de minhoca ou buracos-brancos, em que se iria para os multi-versos de Holking], Filosofia da Mente, uma parte da Astronomia [Expansão do Universo e Big-Bang], Força da Mente [segundo os desse culto você pede ao Universo que ele lhe dará, e esse pedido é feito simplesmente imaginando servindo tanto para puxar o dito BEM quanto o dito MAL para o ser pensante, portanto, deve-se ter sempre um PENSAMENTO POSITIVIVO, uma vez que a sua mente emanaria uma radição que atriria AZAR e SORTE, balela pura. É um simples caso de Neo-Positivismo Agudo], e às vezes a própria ciência, pois uns cientistas provam que outros estavam errados com frequência [como Galileu que provou que Aristóteles estava errado da Torre de Pizza sobre peso e gravidade e Antônio R. Damásio quie rebate o dualismo de Descartes, do Cógito em que mente e corpo estariam separados], como a Teoria das Inteligências Multiplas de Gardner que deveria ser recauchutada [excluindo-se a parte em que gênios existiriam, por exemplo]), no equilíbrio que sempre se mostra cedo ou tarde, como na primeira Lei da Termodinâmica em que energia não pode ser destruída nem criada.
    PONTO DE EQUILÍBRIO HUMANO, este se dá não só pela moderação dos desejos, auto-análise, auto-suficiência, amigos e prazer, como também pelo suprimento de outras necessidades básicas, como: moradia, saúde, saneamento, emprego, família equilibrada, boa educação, alimentação de qualidade, condições de higiene tanto individual quanto do ar, água, visual, sonora e luminosa, etc.
    SÍNTESE:

    De tudo isso, o que mais importa é a auto-análise, e para tanto há que se ter saúde e acesso à leitura, muita de preferência. Acesso ao conhecimento é importante, pois sem ele não há como realizar uma análise realmente crítica da situação. Sem ver pensamentos diferentes não há como formar idéias próprias, logo não se tem identidade.

    A cultura em si não dá identidade ao homem, esta só é conquistada pela razão aquela só deforma boa parte do que seria certo, tranformando em errado perante a mente dos dominados (pecado e prisão) e fazendo-os matarem-se para que haja um domínio geral de alguém.

    POR QUE É MAIS IMPORTANTE A AUTO-ANÁLISE?

    Por que através dela você descobre o que realmente vale à pena.
    Por que com ela você busca força de VONTADE.
    Por que pensando você consegue saber quais os IMPULSOS aceitáveis e reprováveis.
    E, acima de tudo, sem refletir você nunca saberá se é feliz nem que a FELICIDADE existe.
    AROLDO FILHO

    Pacoti-CE, 10/12/2008
  • Chaturanga

    01

    Set
    01/09/2009 às 17h37
    Chaturanga, pode ter sido esse o primeiro nome do jogo que conhecemos hoje por xadrez, teve outros nomes, como: axadrez e enxadrez em português (séc. XVI) ajedrez em espanhol (1250) shatranj em árabe chatrang em persa e chaturanga no Hindustão.


    HISTÓRICO:
    Não se sabe ao certo onde nascera o jogo. Já atribuíram a gregos, romanos, babilônios, citas, egípcios, persas, chineses, árabes, castelhanos, irlandeses, galeses (País de Gales), e indianos (Hisdustão). É mais aceita a hipótese de ser esse último povo o criador.
    No jogo chaturanga, a terminologia ANGA pode ser alusão as 4 armas de um exército indiano, que seriam: elefantes (torres), cavalos, bigas (bispos) e infantaria (peões). Eram 4 adversários que jogavam um por vez com um dado a indicar qual a peça a ser mexida.
    mais tarde, realizou-se com duas duplas, com peças lado a lado, sem dados, e posteriormente pasou a ser 1 versus 1 com 16 peças para cada jogador. Da Índia o jogo migrou para a China, Coréia, Japão, Rússia, Escandinávia e Escócia.
    Por volta de 531-579 penetrou na Pérsia com o nome modificado para Chaturang pelos persas e depois para Shatanj pelos árabes que difundiram o jogo na Europa por volta do séc IX a X. Primeiro na Espanha. Os bizantinos levaram para a Itália, de lá passou para a França. Desta foi transmitido para a Escandinávia e Inglaterra. No séc. XVIII é realizado no Brasil o primeiro torneio de xadrez.
    COMO JOGAR XADREZ:
    O xadrez possui 64 casas e 32 peças.
    Cada jogador tem 16 peças, claras ou escuras.
    o lado das claras inicia a partida.
    Cada jogador só realiza uma jogada por vez.
    Tipos de peças:
    Há 6 tipos de peças: 2 torres, 2 cavalos, 2 bispos, 1 rainha, 1 rei e 8 peões para cada jogador.
    Como arrumar:
    Com o tabuleiro tendo por primeira coluna da esquerda a casa inicial de cor escura. Nessa sequência deve ser arrumado. Na primeira linha. De fora para dentro: torres, cavalos e bispos.
    duas casas sobram e a rainha tem a preferência, sendo posta na casa de sua mesma cor, e o rei na outra.
    Os peões ficam todos na linha seguinte.
    Movimentação:
    Torre:
    Movimenata-se na posição oriental e vertical, podendo andar até a ponta do tabuleiro formando uma linha reta sempre. para facilitar a visulização, imagine-a no centro de uma grnde cruz que percorre o tabuleiro até suas extremidades, então no formato dessa cruz estão contidas as possóveis casas (ou quadrados) para onde ela poderá ir na jogada em questão. São no máximo, 14 possibilidades em jogo aberto.
    Cavalo:
    Costuma-se dizer que ele anda em L, mas, para melhor visualização, prefiro dizer que ele anda em V. ou melhor, imagine um ângulo reto (90 graus) quese faz com com 3 casas em qualquer direção.
    Se preferir, imagine uam marreta com o cabo formado com 2 casas, a que ele se encontra sendo a primera ou base. A terceira casa com uma em cada extremidade.
    Bispo:
    Cada jogador terá 2 bispos, 1 em casa branca e 1 em casa preta. Para quem joga dama é mais fácil imaginar essa peça como uma dama naquele jogo, só que uma em cada cor de casa.
    Movimenta-se na diagonal até as extremidades do tabuleiro em campo livre. Tem-se o máximo de 13 possíveis deslocamentos. Imagine-o no centro de um grande X. Essa peça jamais troca a cor da casa de início.
    Rainha:
    Essa é a maioral máquina de matar do jogo. Imagine um bispo e uma torre fundidos num só, eis a rainha. Imagine-a no centro de um X e de uma cruz ao mesmo tempo. Ou melhor, imagine-a no centro de uma estrela de 8 pontas se preferir.
    Ela é a mais livre, pois movimenta-se em todas as direções que formarem linha reta indo até as extremidades. No máximo são 27 os seus possíveis deslocamentos no centro do tabuleiro, em campo livre.
    Rei:
    O mais lerdo de todos os personagens, pois só anda 1 casa por vez. Anda em qualquer direção. Sendo 8 as suas máximas possibilidades de escolhas para o deslocar.
    Peão:
    Anda sempre para frente, a única peça impedida de voltar e que captura diferentemente da forma que anda. Anda como torre e captura como bispo ou seja, se desloca em horizontal e somente captura em diagonal. Anda 2 casas no máximo somente no primeiro deslocamento de cada um dos seus 8 peões, sendo opcional a saída com 1 ou 2 casas.
    REGRAS E JOGADAS:
    Captura de peças:
    Diferente de outros jogos, como dama e jogo da onça, no xadrez a captura de peça é realizada sem pular casa, pelo contrário, fica-se na casa da peça capturtada, exceção na am passant, descrita a diante.
    Objetivo do jogo:
    O principal objetivo do jogo consiste no encurralamento do rei adversário, dando o xeque-mate, que significa que o rei morreu. Daí, o jogo é vencido por aquele que der o xeque-mate.
    Xeque-mate:
    É deixar o rei adversário ameaçado de todos os modos que não tenha jogada possível para o adversário se livrar. Logo, o jogo termina.
    Xeque:
    Xeque é quando o rei se vê ameaçado, ou seja o rei fica na linha de tiro de alguma possível peça, por exemplo: ficando em ãngulo reto com a rainha. É obrigatório então, encobrí-lo, pondo uma peça a sua frente ou tirando-o do local.
    Os reis nunca encostam um no outro, pois seria xeque dos dois ao mesmo tempo o que não existe.
    Rock:
    É uma jogada feita em que o rei anda duas casas para o lado e a torre pula uma casa sobre ele. Só pode ser feito em condições espeiais: se o rei não estiver em xeque nem ficar em xeque ao passar a casa para a realização da jogada. Se a torre em questão não tiver sido movimentada nem o rei saído do canto, e nem estiver a torre ameaçada. (Rock é o nome da torre em Inglês).
    Am passant:
    Quando o peão anda 2 dasas na saída para não ser capturado pelo adversário, que o faria se ele andasse 1 só, então o adversário captura como se o peão estiovesse andado 1 só casa.
    Cavalo:
    O cavalo é a única peça que pula sobre as outras, exceto na jogada rock em que a torre pula sobre o rei. Essa peça só captura a apeça na última casa do V.
    Peão transformado:
    O peão, quando chega na primeira fileira do adversário, ou última sua transforma-se em qualquer peça exceto rei.
    Defeito:
    O defeito do xadrez está justamente em não se poder marcar esses peões, impossobilitando um jogo 10 cavalos, bispos e torres ou 9 rainhas.
    Conserto e novo defeito:
    No computador é possível, mas, em alguns jogos de xadrez virtual só é possível fazer rainhas. Se quizer fazer um cavalo, por exemplo, não é possível. Isso é um grande defeito.
    Valor de peça:
    Cada peça tem um valor agregado que varia em cada região ou campeonato. Vão aí as aproximações.
    Rainha: 10 ou 9
    Torre: 4 ou 5
    Cavalo: 3
    Bispo: 3
    Peão: 1
    Rei: jogo todo
    Relógio:
    É comum usar relógio em campeonato com o mesmo tempo para cada jogador, que se ultrapassar perde.
    MAGO DIÁFANO
    Asabarcelri, 08/02/2009
  • O tribunal dos Urubus

    01

    Set
    01/09/2009 às 16h00
    ALIANÇA DOS JOVENS ARTISTAS - AJAS
    QUARTA-FEIRA, 12 DE DEZEMBRO DE 2007
    O TRIBUNAL DOS URUBUS

    Três acontecimentos quase simplórios de exemplos da impotência do cidadão isolado através da minha situação de estudante não me abandonam à mente. Determinadas ocasiões nos marcam ma ferro no âmago do superego que o semblante do ide quebra-nos a máscara mais oculta de caráter que construímos e toma o controle para si, assumindo a personalidade vingativa com o cognome justiça.
    Somos a figura do ódio em sua essência gótica e grotesca jamais retornaremos a quem pensávamos e demonstrávamos ser. A consciência alterada abruptamente não regressará ao estado de outrora nem sob choque superior.

    1° A acusação
    2° O acesso negado
    3° A expulsão

    No primeiro ano do ensino médio, 2002, a diretora deu uma desculpa esfarrapada mudar-me de sala, pondo-me junto com uma turma fora da faixa e do convívio, nunca tinha visto a maioria daquelas pessoas, todavia, aquela foi uma boa sala.
    Um dia, o professor falta sem aviso prévio e logo é substituído. Por falta do diário de classe assinamos numa folha. Então, vejo "ator" grafado em seguida ao nome de alguém. Faço uma brincadeira, troco para "atriz desempregada.
    Um colega próximo sugere: _Bota "popozuda" na fulana._ Outro desenha uma galinha e continuamos a operação: "assaltante", "traficante" e um monte de insultos que esqueci.
    A diretora adentra para transmitir um comunicado. Um sujeito transforma a folha numa carta e entrega à professora, que repassa para a mulher que estava ali por acaso.
    _Estão vendendo um pozinho branco na parte da manhã, e é gente dessa sala. _Jogou verde aquela que se mantivera cerca de dez anos no cargo a custa de ameaçar educandos com sua presença tenebrosa e incompetente sentada ao biroau.
    Nenhum de nós revelou o culpado, o que seria deveras facílimo, uma vez que minha letra é inconfundível de tão feia, fomos expulsos como um bando de galinha que se diz "xô".
    Menos de um mês depois, presenciei a expulsão de outra turma, do terceiro ano, que vaiara a diretora perante todo o corpo discente e docente do turno. O motivo? Ela fez propaganda eleitoral, revelando qual seu prefeito favorito.
    Esquisito é o fato de nunca haver número superior a dois concorrentes e pior é quando eles se unem, um vice do outro, para ganhar daquele que seria o terceiro. Soube, mais tarde, de outras turmas que ganharam a liberdade temporária pelo mesmo motivo do parágrafo anterior e de outros mais banais, que não vêm ao caso.
    Segundo ano, chego atrasado cinco minutos, porém, o porteiro chega muito tempo depois para negar-me acesso à aula.Indignado, dou um soco no moribundo interruptor, uma chapa na porta que antecede o portão e pulo o muro.
    Sou mandado embora sem adentrar a sala de aula.
    _Ele deu uma voadora na porta! _Afirma a coordenadora financeira. Dois anos após ela dava aula de educação física.
    _Quem foi que deu voadora? _Indago.
    Ela limpa a garganta, ergue a cabeça, em postura impecável, e segue rumo à secretaria, calada.
    No terceiro, ocorre caso mais dramático sou expulso por ir ao banheiro.
    Um dia antes, o porteiro permite a saída de uma colega minha que alega ir fazer aula de capoeira, mentira. Uma segunda, com inveja, tenta sair, mas lhe é vetado o direito.
    No outro, ambas iniciam discussão, dia de prova em que eu estudava piamente. Como vice-líder eleito, levanto, o professor treme lá fora, sinto a angústia em sua alma, não terá controle da situação.
    A diretora surge antes que eu fosse chamá-la, como se minha lente lesse. Manda uma menina embora por estar de chinela e sem a blusa da farda. As zuadentas calam-se.
    O professor entra e decreta: _Ninguém sai.
    Pouco depois, um colega levanta.
    _Onde vai? _Indaga o "Mestre", como ele se intitula.
    _Ao banheiro.
    _Volte. _O cordeirinho obedece.
    Outro repete o gesto.
    _Volte. _Ordena o soberano do giz.
    _Fela da puta! _ Solta um soco no ar.
    _O que ele disse? _Os abutres alunos respondem.O colega é expulso, mas o pai desse, segurança do prefeito que, no fim do mandato, vende livros recém saídos da fábrica para a reciclagem nesse mesmo ano, 2004,coage o professor.
    Aproveito para ir ao banheiro enquanto uma colega pedia repetição da explicação.
    _Espere até o fim da aula.
    _Má rapaz! _Respondo e saio. Depois volto para pegar a apostila do babaca que quase me reprova nesse ano sem que eu ao menos tenha visto a média final tinha prova no segundo tempo sobre Vargas.
    Interessante é que a peste é meu primo, e substituía uma professora de caráter incompatível com o dele, o anterior, a diretora, a coordenadora de finanças e muitos outros.
    _Vá pra fora! _Berra o cordeirinho obediente que é tão abutre quanto os outros, que logo o imitam.
    _Saia. _Sentencia o juiz do giz.
    _Você poderia ser mais idiota.
    _O que?
    _Você não é môco.
    _Me respeite, rapaz, eu não sou seu parinceiro não.
    _Só pode pedir respeito quem exige respeito...
    _Me respeite, eu sou seu professor!
    _Se exige respeito respeitando..._
    Você tá pensando que é quem?
    _Você não me respeitou. _Saio, escuto a forte pancada na porta.
    Dois dias após, a sentença continua: _Você está suspenso cinco dias das minhas aulas. _O que representava matemática, física e química. Detalhe: A escola pública, cobaia do CRED, adotara a semestralidade e um tal de AS e ANS, o que significa, grosso modo, que cada falta será multiplicada por dois e meio, logo, cinco vira doze e meio um número reprovativo.
    Nunca repeti um ano, até agora. Com ódio, iria denunciar no fórum, o que seria pior para mim, à priore e à posteriore por que hoje é um dos carrapatos do prefeito. Minha cabeça estava tão ardente que esqueci e passei direto para casa.
    A custo, relatei o incidente à minha mãe, ela agiu o mais frio que pode. Pediu a acusação por escrito e xerocou. Depois de muita conversa fora, com aquele que um dia fora seu aluno, ela dispara à queima-roupa:
    _ Mesmo que meu dinheiro se acabe, eu vou à sede do CONSELHO e peço uma sindicância que revele o índice de desistência, neste colégio, de 2000 pra cá. Mando eles perguntarem, a um por um, qual o motivo que os levou a abandonar os estudos.
    No dia anterior, aproveitando que minha sala fora a única mantida no período noturno, os integrantes do corpo docente reuniram-se, às escondidas, para colocarem meu nome no famoso BO, batismo dos alunos, constava apenas a assinatura do sentenciador, que embora primo da diretora, não teria apoio formal.
    Um corvo desprovido de covardia nunca será um bom carniceiro.
    _Eu perdi a admiração que tinha pela senhora. _ Afirma o professor, em último ato, à minha mãe. E conclui, para a secretária: _Ratifica, ou retifica, até a palavra é difícil... Ou melhor, suspende a suspensão!
    A diretora não seria uma boa chantagista de mais de dez anos sem um Az na manga:
    _Agora, você vai explicar para os colegas e os professores o porquê da anulação da suspensão.
    O circo do poder fora armado: No centro eu, minha mãe ao biroau e os palhaços nos espaços restantes.
    Dentre as falas mais significativas da batalha intelecto versus poder destacam-se: _"...gado a gente marca, fere e mata, mas com gente é diferente..."
    _Se ele ao menos pedisse perdão. _Uma abutre colega pronuncia tamanha bobagem.
    _Perdão é para quem se arrepende.
    _Peça desculpas, meu filho!
    _Vai contra minha honra.
    _Diga para eles o que você entende por honra.
    _Segundo um filme que assisti, "honra é uma coisa que o homem dá a si mesmo". Eu não estaria sendo sincero se pedisse desculpas por uma culpa que não tenho. Isso fere o conjunto de valores que adquiri até hoje e que formam meu caráter.
    _O que você entende por caráter?
    _Personalidade, segundo um documentário filosófico que assisti, é "a máscara que pomos para os outros" e caráter a que pomos para nós mesmos, portanto, é o mais próximo daquilo que realmente somos.
    E a que jamais esquecerei é quando o cara que virou diretor de outra escola e que, tempos atrás, tomou, "legalmente", a casa de minha tia-avó materna (hoje já falecida), apertando minha mão como quem derruba gado e fitando em meus olhos o olhar negro da senhora morte, diz:
    _Já se passaram duas horas sem que você fosse ao banheiro. _Respondi ao insulto, entretanto, abutres não escutam o que não lhes convém. Fala perdida. O idiota não sabia da minha vontade tremenda de urinar, maior um pouco da de quebrar-lhe os dentes.
    Na segunda opção eu seria preso, talvez, pois tive o azar de completar dezoito justo quando a lei torna esse número em idade adulta penal. E por ele hoje ser mais um dos carrapatos do prefeito, talvez desse uma complicaçãozinha a mais se bem que valeria à pena dar uma lição naquele imbecil.
    Senti-me dentro da fábula em que a raposa diz:
    _Você é a causa da seca que nos assola, comendo as folhas indefesas que nada lhe fizeram, coitadas. Matem-no!
    Estive, na vida real, dentro da estória "o tribunal dos urubus", fui salvo pela Coruja Solidária, deixando de ser o burro da vez.
    Guilherme de Almeida finalizaria assim, talvez: "...as aves que aqui revoam são corvos do nunca mais a povoar nossa noite com duros olhos de açoite."
    Nunca mais quero viver outra fábula de La Fontaine.

    AROLDO FILHO
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